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domingo, 27 de junho de 2010

Para firmar identidade na música campeira

Juliana Spanevello é uma cantora da região central do estado. Vem de Faxinal do Soturno e tem forte atuação na música nativista e italiana. Já foi melhor intérprete da Califórnia da Canção Nativa, de Uruguaiana, considerado um dos enventos mais respeitados da música nativista, por dois anos consecutivos. Também teve atuação no rádio. De janeiro a outubro de 2008, apresentou o programa "Campo Afora", diariamente das 18h às 20h, na Rádio La Sorella - 90.9 FM. Vive um momento muito especial na carreira. Entrou em estúdio para gravar o terceiro disco. Com tema campeiro, a obra pretende colocar a intérprete em igualdade com as vozes masculinas identificadas com esse estilo. Hoje ela tem a coragem para cantar as suas vivências de campo e sente-se a vontade para transmitir essa verdade através de suas canções. Confira a trajetória musical, suas influências, as participações nos festivais, o seu lado "blogueira" e mais algumas curiosidades na entrevista cedida ao De terra, campo e galpão:

Por João Cléber Caramez

Como começou a tua carreira musical? Desde o início, cantavas música nativista?

Cresci no convívio dos CTGs, participando de concursos de prenda, e quando criança cantava de tudo um pouco. Aos 11 anos, pela amizade da minha família com o Antônio Gringo, acabamos conhecendo os festivais de intérpretes mirins como a Coxilha Piá, em Cruz Alta; a Gauderiada Mirim, em Rosário do Sul, dentre outros, e iniciaram aí minhas primeiras apresentações para o público apreciador da nossa música nativista. Logo em seguida, com 12 anos, minhas primeiras participações com músicas inéditas nos festivais nativistas em todo o estado. 

Quais são as tuas principais influências na música?

Nossa! Eu ouço muita coisa diferente. Tenho referências das mais variadas possíveis! Sempre ouvi de tudo. Me considero uma pessoa bastante eclética! Tive minha fase de ouvir as cantoras brasileiras e muita MPB (Elis, Marisa Monte, Leila Pinheiro, Zizi Possi). Também estava sempre tentando descobrir cantoras não muito ouvidas, que não eram tão conhecidas e divulgadas (Mônica Salmaso, Fátima Guedes). Ouvia desde os 14 anos de idade a Soledad Pastorutti, cantora argentina que tem a mesma idade que eu, e por isso me despertou interesse sempre. E também, Mercedes Sosa, que tanta riqueza cultural deixou pro mundo todo através do seu cantar. Sempre ouvi muita música italiana, por ser “gringa polenteira” original de fábrica: Laura Pausini, Andrea Bocelli... 

Atualmente estou na fase folclore! Sou fã de folclore, uma aficcionada por chacarera! Hoje em dia, tenho ouvido Los Nocheros, Sin Bandera, Luis Miguel, Las Cinco Vozes, Alejandro Sanz, Vicente Fernandes... Gosto de ouvir de tudo! E de alguma forma, tudo que ouço vai moldando minha percepção e minhas convicções com relação à música! 

Diferente do que as pessoas possam imaginar, na minha família não tínhamos (até eu começar a cantar) uma vivência musical vasta no que diz respeito à música gaúcha. Eu conhecia o que todo mundo conhecia em função da mídia, e gostava de ouvir os trabalhos das pessoas com as quais eu convivia no meio musical, nos encontros dos festivais: Antônio Gringo, César Passarinho, Léo Almeida, Luiz Marenco, Joca Martins, Miguel Marques, e tantos outros cantores e cantoras que cruzavam nos palcos onde eu estava iniciando minha trajetória. E quando me pergunto de onde vem esse meu gosto, essa minha satisfação em cantar as coisas da minha terra, sempre faço ligação com as coisas que vivi e aprendi no campo com meu pai e no quanto tenho orgulho de poder traduzir em canções, esses sentimentos de amor e orgulho pela nossa história, pela nossa cultura, pelos nossos costumes... e tudo o que faz a tradição gaúcha ser conhecida e vivenciada até os nossos dias.




Juliana Spanevello em estúdio na gravação de seu terceiro CD

Quais foram as tuas participações mais recentes em festivais?

Recentemente estive no Festival de Música César Passarinho, em Caxias do Sul, com a composição “Alguém pra cuidar de mim”, do Duca Duarte e do Érlon Péricles, canção esta, que nos deu a premiação de segundo lugar e melhor intérprete do festival. Estive também na Sapecada em Lages/SC (tem o vídeo da apresentação no meu blog), com a canção Pampa e Flor, do Gujo Teixeira e do Roberto Borges. Estamos aguardando nova data do Minuano, que acontecerá em São Pedro do Sul, onde vou participar com a canção “A varanda da estância do Itu”, do Rodrigo Bauer e do Joca Martins. Também estarei também no festival Serra, Campo e Cantiga, em Veranópolis, com o show das Mulheres Pampeanas.

Como é a tua relação com outros músicos, principalmente com teus parceiros musicais?

Eu admiro as pessoas com as quais trabalho. Seja nos festivais, seja nos projetos dos quais participo, e nos meus projetos pessoais. A admiração pelas pessoas com as quais trabalho, cria-se um vínculo de respeito e de carinho com os colegas, que acabam sendo como parte da família. Já interpretei canções de diversos compositores diferentes, de regiões diferentes, de grupos de convívios diferentes e acho isso maravilhoso. 

De que forma foi criado o Mulheres Pampeanas? Quantos discos chegaram a lançar?

O grupo surgiu através de um convite para que algumas cantoras realizassem um show juntas em Candiota, no Canto Moleque. Depois de criada a ideia para este show específico, foi mantido o projeto nos moldes deste primeiro show, aproveitando as quatro vozes nos arranjos vocais e trazendo um repertório de regravações de canções de raíz, na voz da mulher gaúcha. O grupo lançou até o momento apenas um CD (disponível para compra no blog), e o projeto Mulheres Pampeanas é paralelo às carreiras “solo” das cantoras que participam do grupo, que mantém, fora do grupo, suas carreiras individuais. 



Juliana Spanevello  firmou sua identidade e agora canta o que gosta

 E na carreira solo, já são quantos discos? Quais são teus trabalhos mais recentes?

Lancei meu primeiro disco com produção independente aos 13 anos de idade, e o segundo pela gravadora ACIT, lá pelos meus 15 anos de idade. Mais ou menos aos 20 anos de idade, lancei um trabalho beneficente para a Liga Feminina de Combate ao Câncer, cujos recursos das vendas eram totalmente revertidos para esta entidade. Paralelamente a estes trabalhos, tenho a participação e o registro em diversos festivais, e também em alguns CDs que reúnem obras autorais, sendo que a participação mais recente foi no CD Pasto Nativo, do poeta Rodrigo Bauer, cantando “O sábio do mate” com Joca Martins (música disponível para download no blog).  

A participação de mulheres nos festivais tem crescido. De que forma tu observas esse ponto? As oportunidades tem sido maiores ou é apenas impressão?

São raríssimas as mulheres que participam ativamente do movimento dos festivais, assim como, são raríssimas as mulheres que conseguem firmar seu espaço na nossa música. Difícil é entender porque isso acontece. Eu sinceramente não sei se a participação tem crescido, até acredito que não. Acho isso uma pena. São sempre quatro ou cinco nomes que circulam nesse meio. Às vezes, dependendo da época, o que mudam são os nomes. Desaparecem umas, voltam outras. E olha que tem muita gente boa que não consegue se manter neste circuito de tão poucas oportunidades para as mulheres! 


Qual é a importância dos meios de comunicação, como a internet, o rádio; para a divulgação do nativismo? O teu blog, por exemplo, tem sido uma ferramenta importante para isso?

É nosso meio de chegar até as pessoas! O papel desses veículos é vital! Eu sempre soube disso, e depois da criação e da manutenção do blog, tive ainda mais clareza a respeito disso. Quanto mais veículos (rádio, TV, blogs, sites, jornais, revistas) estiverem mostrando a nossa música, a nossa cara, ou o nosso nome, mais numerosos serão os nossos pontos de contato com as pessoas. Assim nosso trabalho e nossa música conseguem ganhar espaço e se firmar. 
O blog é uma ferramenta maravilhosa, que vamos conduzindo conforme nosso interesse e objetivo. Eu, como ainda não tenho site (que já está sendo providenciado), disponibilizo ali formas de contato para contratantes e público, release, além de notícias de divulgação do meu trabalho e notícias que acho interessante dividir com os leitores sobre os mais diversos assuntos. É prazeroso demais. Somos um pouco “jornalistas” da nossa própria vida. Gosto de divulgar, dentro das minhas disponibilidades de tempo, alguns trabalhos dos meus amigos, e notícias com assuntos que possam interessar ao público leitor do blog (festivais, rádios, eventos). O retorno é gratificante, as notícias vão atingindo ambientes que nem imaginamos. Da forma que conduzo o meu blog, vejo um benefício bem importante na divulgação do meu trabalho, e se minha disponibilidade de tempo fosse maior (hoje em dia tento postar uma ou duas vezes na semana pelo menos), acho que o benefício seria proporcionalmente aumentado. 



A vivência de campo será colocada em suas canções do disco em produção


De que forma podemos atrair cada vez mais a nossa juventude para o meio nativista, já que são tantas as opções que podem encontrar?

Eu noto que a juventude tem tido mais interesse pela nossa música nos últimos tempos. Precisamos estar no meio dessa gurizada, nossa música precisa falar das coisas que a gurizada conhece e vivencia no campo, nos rodeios, nos cavalos, enfim, dos ambientes que a gurizada gaúcha conhece e frequenta, para despertar a atenção deles através da identificação com a música que eles ouvem.

Quais são os teus projetos para a sequência da carreira, teus maiores objetivos?

Depois de um bom tempo sem gravar e sem estar focada na minha carreira, estou retomando meus sonhos. Nesse momento da minha vida, estou focando a música. Estou preparando um disco novo! Uma proposta que foi amadurecida neste tempo que não estive dedicada à música, e que é um pouco diferente dos trabalhos que eu já tive. Um trabalho com objetivo e unidade. Hoje tenho clareza do que quero cantar, e consigo manter essa linha em todo o conteúdo do CD. Ele está em fase de produção e será gravado na segunda quinzena de julho. O CD conta com a produção executiva do Joca Martins e com a produção musical do Negrinho Martins.
Quero retomar meu espaço firmando minha identidade musical que está focada na nossa música campeira, inclusive direcionando minhas participações nos festivais para esta mesma linha. O show que estamos preparando, será o reflexo desta nova identidade! Meu sonho é poder assumir meu espaço no cenário musical gaúcho, de igual para igual com os homens, mostrando que a mulher também pode cantar as coisas gaúchas, do campo, do folclore, com propriedade, como os homens que fazem isso e tem seu público! 

Deixe um chasque para todos aqueles que admiram o teu trabalho e também os teus contatos. 

Agradeço sempre a cada uma das pessoas que ouve e acompanha meus trabalhos, e torço pra que continuem acompanhando. Estou trabalhando com muito carinho e dedicação para presenteá-los com um trabalho feito a capricho!!! Para trazer coisas novas, que possam transmitir esses sentimentos bons pela nossa cultura, pela nossa terra, e pela linda história que nós gaúchos temos o compromisso de contar e manter viva! Mil gracias sempre pelo carinho!  

terça-feira, 22 de junho de 2010

Um missioneiro pela segunda vez na Confraria Nativista


No próximo dia 24, no Restaurante Comabem, a Confraria Nativista recebe Jorge Freitas, cantor missioneiro com muitos anos de estrada e que fará sua apresentação para um público que aprecia a boa música do Rio Grande do Sul. Esta é a primeira vez que um artista repete sua visita à Santa Cruz do Sul. São muitos anos de música. Sempre leva o seu canto missioneiro aos pagos por onde anda. 



Conheça um pouco de sua carreira:
Depois de muitos anos participando de corais aos 18 anos pela primeira vez participou de um Festival de Música como intérprete\solista, No Projeto Cantares, evento realizado em Santo Ângelo. Em 1981 participou do primeiro grande festival nativista a 2ª Tertúlia Musical Nativista, com música de sua autoria Piazito de Campanha em parceria com Nenito Sarturi.De lá para cá foram 30 anos de estrada, com participação em todos os festivais nativistas do Rio Grande do Sul, premiado em vários festivais, possui mais de 300 músicas gravadas em discos de festival. Em 1997 gravou seu primeiro trabalho individual, CD Recuerdos costeiros, que teve como destaque a música ¨Peão do Meu Bagé¨, de autoria de Mauro Ferreira, uma das músicas mais rodadas nas emissoras de rádio com programação voltada para o nativismo.
Em junho de 2003, Jorge Freitas entrou em estúdio para a gravação de seu 2º CD, pela gravadora Usadiscos. O repertório que valoriza a temática missioneira e traz algumas regravações, além de músicas inéditas em parceria com Eron Carvalho, Sérgio Rosa, Adair de Freitas, Ricardo Martins, Erlon Péricles. Já no CD Bem missioneiro, lançado em novembro de 2003, foi um dos CDs mais rodados nas principais emissoras de rádio com programação nativista, como a Rádio Liberdade(Poa), Rádio Nativa FM(Santa Maria e Livramento), Rádio Planalto FM(Passo Fundo), Diário Serrano FM (Cruz Alta) Rádio Iguatemi FM (Ijuí), Rádio POP ROCK (Santo Ângelo), além de inúmeras emissoras na região missioneira e no Vale dos Sinos.





Em Julho de 2005, Jorge Freitas lançou seu 3º CD Individual chamado Firmando o garrão, que apresenta 12 faixas mesclando o lado campeiro, a influência missioneira, e o lado intérprete de Jorge Freitas. Com a participação de nomes consagrados no meio musical sul-rio-grandense como: Pirisca Grecco, Erlon Péricles, Nilton Ferreira, Augustinho München, Tiago Quadros, Arthur Bonilha e Sergio Rosa entre outros. Em março de 2006 grava seu primeiro DVD em Santo Ângelo, em show realizado no Parque da Fenamilho. O DVD e CD ao vivo foram lançados em dezembro do mesmo ano e até hoje estão entre os títulos mais procurados da gravadora.
Em julho de 2006 vence a 26ª Coxilha Nativista, de Cruz Alta e leva também o prêmio de melhor intérprete com a música Como se morre um homem valente, de Gujo Teixeira e Sabani Felipe de Souza. Em 2007 é premiado em diversos festivais como a Guyanuba da Canção Nativa, de Sapucaia do Sul (1° e 2º lugares, melhor intérprete), O Rio Grande Canta o Cooperativismo, entre outros. Em 2008, é premiado no Gruta em Canto, de Nova Esperança do Sul (1º Lugar), O Rio Grande Canta o cooperativismo (Música mais popular), Escaramuça da Canção Gaudéria, de Triunfo (melhor intérprete). Em Agosto de 2009, o cantor lança o 5º CD de sua carreira individual intitulado Motivos de campo que conta com a participação de compositores como Anomar Danúbio Vieira, Tadeu Martins, Elton Saldanha, Érlon Péricles, Juca Moraes, Rogério Melo, Mauro Moraes, Sérgio Rosa, entre outros.





Neste ano, Jorge Freitas desenvolve dois projetos musicais paralelos: o álbum duplo Jorge Freitas canta os 30 anos da Coxilha Nativista (em gravação) e ainda o CD Vencendo léguas, que será lançado em setembro, onde interpreta canções inéditas de uma dupla de compositores da nova geração no nativismo: Gilberto Lamaison e Gabriel “Selvage”. E para acompanhar Jorge Freitas, músicos de alta qualidade estão ao seu lado no palco. Tiago Quadros (Gaita Botoneira - melhor instrumentista do 3º Minuano da Canção Nativa, de Santa Maria, em 2004, da Coxilha Nativista, de Cruz Alta, em 2005 e Comparsa da Canção Nativa, de Pinheiro Machado, em 2006), Nando Soares (Contrabaixo e vocal), Augustinho München (Violão e Vocal), Edison Macuglia (Violão Solo) e Rafa Bisogno (Bateria e Percussão). Tem como prioridade em seu trabalho, a valorização da autêntica música missioneira, campeira e galponeira do Rio Grande do Sul, sua temática, seus principais ícones, sua raiz, e sua mágica inspiração.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um gaúcho que canta o Rio Grande de agora

Cantor missioneiro que já transitou nos maiores palcos do estado, Ângelo Franco é um dos músicos mais destacados na música nativista. Conquistou muitos prêmios em diversos festivais e com seu talento, firmou seu espaço entre os músicos mais jovens. Seu canto tem a característica de trazer temáticas atuais como "Coplas de um gaúcho brasileiro", "Cosa braba". Outras canções são curiosas como "História de um pala", que faz referência ao imortal Noel Guarany. Ao lado de Robledo Martins e Nilton Ferreira, venceu o 25º Reponte com a zamba "O poeta e a estrela". Ângelo tem prêmio até em Brasília. Quando Shana Muller foi melhor intérprete no Festival Pampa e Cerrado, a música era "Gaúcha bandeira"; uma parceria de Ângelo Franco e Érlon Péricles.



Ângelo Franco ao lado dos parceiros do Buenas e M'espalho no Jornal do Almoço

Estes nomes são bem ligados à Ângelo Franco. Ao seu lado; Érlon Péricles, Shana Müller e Cristiano Quevedo formam o grupo Buenas e M'espalho,uma proposta de unir amigos que buscam aliar o gosto pelo nativismo com uma linguagem atual e ainda reforçar a juventude na música regional. E começaram bem. O disco "A bombacha da modernidade" teve seis indicações ao Premio Açorianos de Música, oferecido pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e sagrou-se vencedor com o prêmio de melhor CD Regional 2008. Além do mais, o Buenas e M'espalho foi programa de rádio até fevereiro de 2009.




Ângelo Franco ao lado de Robledo Martins e Nilton Ferreira: vitoriosos no 25º Reponte

Agora, Ângelo Franco está voltado ao seu novo trabalho: "De onde venho". O disco traz canções que já são conhecidas nos palcos dos festivais e outras que são novidades.O lançamento já tem data definida. Para saber um pouco mais sobre a carreira de Ângelo Franco, confira a entrevista concedida ao De terra, campo e galpão:




Capa do CD A bombacha da modernidade do Buenas e M'espalho



Por João Cléber Caramez

1 - Como começou a tua carreira no cenário nativista?

Comecei a cantar antes dos sete anos de idade, quando meus pais saiam para bares ou casas de amigos. Eles tinham o hábito da música ao vivo. Minha mãe e tias cantavam. Então um dia eu também comecei, mas meu primeiro festival foi a jornada nativista de Caibaté em 1985. Um festival profissional onde participavam nomes como João de Almeida Neto, Daniel Torres, entre outros e já saí com a musica mais popular aos 11 anos. 

2 - Quais são as tuas principais influências na música?

Principalmente o chamamé argentino, que aprendi a cantar antes de qualquer coisa e depois a música missioneira e por fim, os festivais pioneiros; Califórnia, Tertulia, Coxilha, enfim.





Capa do 2º CD: Eu sou gaúcho



3 - Tu sempre trabalhas com temáticas sociais e também trata de assuntos do nosso cotidiano. Como surgiu essa concepção para transformar isso em música?

Eu sou missioneiro. Acho que isso vem do ímpeto que a música missioneira sempre trouxe na atitude de seus cantores que sempre cantaram opinando.Acredito que o momento histórico real é o que mais falta na música regional gaúcha da atualidade. Cantamos imagens de um Rio Grande lindo e pastoril que existe apenas para poucos e apaixonado. Sou campo em origem, mas como a maioria já não vivo lá. E o campo em que me criei, também não é mais o mesmo. 

4 - Como começou a tua participação nos festivais? Quais foram as tuas participações mais recentes?

Conforme relatado, comecei em 1985. As mais recentes foram no mês de abril de 2010.






O Buenas e M'espalho em estúdio durante o extinto programa na Rádio Rural




5 - Como é a tua relação com outros músicos, principalmente com teus parceiros musicais?

A melhor possível. Trabalho com músicos de todas as regiões e de todos os estilos e também me julgo um colega ético. É bem verdade que tenho muitos amigos de verdade no meio, meus parceiros efetivos são como irmãos. 

6 - De que forma surgiu o projeto Buenas e M’espalho e qual a importância dele para tua carreira?

O projeto é muito importante pra todos nós, a união nós deu mais visibilidade. O Buenas começou pela amizade, os churrascos e a afinidade musical. Então decidimos colocar em prática após uma matéria feita pelo jornal Zero Hora, a respeito da nossa turma. 

7 - Fale um pouco sobre os teus trabalhos “Coplas de um gaúcho brasileiro” e “Eu sou gaúcho”. Qual é a composição mais marcante?

De todas as minhas composições, as mais marcantes são: Chacarera do Tempo e Coplas de um Gaúcho Brasileiro, além da mais recente: É Aqui Junto ao Chapéu, que está no novo disco, intitulado De Onde Venho e no disco Buenas E Me Espalho. O interessante é que cada disco teve uma resposta, mas com o mesmo público, ou seja, as pessoas que param para ouvir.





Participação do Buenas e M'espalho no programa Galpão Crioulo

8 - Qual é a importância dos meios de comunicação, como a internet, o rádio; para a divulgação do nativismo?

Importância total. No rádio temos pouco espaço, mas a internet nos permite recuperação.


9 - De que forma podemos atrair cada vez mais a nossa juventude para o meio nativista?

Abrindo mais as portas do que fechando, além de tratarmos a musica do sul como musica brasileira e universal. Não como cultura alienígena de grupos isolados. Também somos show nacional.

10 - Recentemente, foi lançado o teu terceiro trabalho, "De onde venho". Como está a divulgação do disco? Quando será o lançamento e quando chega às lojas?

Nas lojas já está chegando. O lançamento oficial, já aviso o público em primeira mão, se dará no dia 18 de maio em Porto Alegre, no teatro Túlio Piva as 20h30min.



 Capa do trabalho mais recente: De onde venho




11 Deixe um chasque para todos aqueles que admiram o teu trabalho e também os teus contatos.


Vamos banir a idéia uniformizada e vamos prestar atenção no que cada um tem de especial. Tem lugar pra todos e se somos consumidores, que sejamos consumidores preparados. O que se diz cultura tem que trazer algo mais, além de  modismos sejam eles urbanos ou rurais. A moda muitas vezes não reflete o que de fato somos, sejamos nós, o gaúcho que realmente somos, com o nosso povo, nosso ancestrais e vivendo o nosso tempo com coragem e autenticidade.Tenho visto gente incorporando costumes de outras regiões, pregações de gauchismo infundadas e isso não colabora pra identidade real de um povo que se diz orgulhoso de si.




Visitem o blog do cantor Ângelo Franco







www.angelo-franco.blogspot.com



Colaboração: Thiago Suman