quinta-feira, 26 de março de 2009

Juliano Moreno: nova geração do nativismo aos poucos ganha espaço

Juliano Moreno lançou recentemente o seu segundo trabalho intitulado "Debaixo da mesma sombra", com composições do poeta João Sampaio. O cantor santanense, reconhecido pelo seu bom histórico nos festivais nativistas do estado, busca a sua afirmação como um dos melhores intérpretes da nossa música, como provou no 10º Um canto para Martin Fierro, em dezembro, ao interpretar as canções vencedoras das edições anteriores ao lado de Leôncio Severo e ainda arrebanhar o troféu de melhor intérprete do festival de sua terra. Saiba um pouco mais de Juliano Moreno, sua carreira, seus planos e o seu carinho por Santana do Livramento nesta entrevista cedida ao De terra, campo e galpão:

Por João Cléber Caramez

1- Como foi o início da tua carreira musical?

Juliano- Bom, o início da minha carreira musical aconteceu através da influência musical na minha família. Meu irmão cantava e tocava violão e minha irmã é pianista e cantora. Na verdade, cada um tomou seu rumo e o único que escolheu a carreira musical fui eu, talvez por ser meu destino. Inicialmente, fui aluno de gaita do Leonel Gomez, mas, em muito pouco tempo de aula vi que gaita não era para mim, se passaram alguns meses e comecei a aprender violão com meu pai, que viu a minha vocação e me levou até um professor que me ensinou o básico, suficiente para acompanhar meu canto, pois, era isso que eu definitivamente gostava.




Capa do 2º CD - Debaixo da mesma sombra

2- O que representou para ti, a época em que integraste o Grupo Charla de Fronteira?

Juliano- Significou o início da minha trajetória musical, uma época que vivi com gosto de viver, voltando meus pensamentos só para a música. O convívio ao lado do Daniel, do Fabianinho, do Paulo Henrique e do Beto Giordani foi de aprendizado e ao mesmo tempo enriquecedor para vida de cada um de nós. Aprendemos o que era realmente uma verdadeira amizade, pois, mesmo com minha saída do grupo somos amigos até hoje sem rancor ou ressentimento. Muitas vezes, eu e o Daniel comemos um assado a moda fronteira e tomamos um vinho bueno do Uruguai.

3- Em termos de carreira solo, como foi a receptividade do teu primeiro trabalho "Aos olhos da pampa" e o que ele significa para ti?

Juliano- Foi o primeiro passo da minha carreira de cantor. O fato do CD Aos olhos da pampa ser lançado independente, dificultou um pouco no começo, mas com a tecnologia avançada de hoje, encontrei como comercializá-lo sem as pessoas terem que procurar em lojas através da internet, tornando assim, a receptividade muito boa. Pelos meus cálculos até hoje foram vendidos mais de 1 mil exemplares, sendo que, a primeira tiragem foi de mil cópias e em meados do ano passado foi feita uma nova tiragem. A significância de um primeiro CD solo é muito grande. Ali se cria um nome, se cria uma identidade musical, se mostra pra os exigentes amantes da música nativista qual rumo que o cantor vai seguir em sua carreira, por isso é muito importante.




Durante apresetação no Martin Fierro, do qual foi melho intérprete em 2008

4- Qual é a grande importância dos festivais nativistas para a tua carreira? Conte um pouco da tua recente trajetória nestes palcos.

Juliano- Os festivais são importantes não só para carreira de cantor, mas sim para a vida em si. Ali aprendemos com os erros, obtemos personalidade, conquistamos amigos daqueles que é pra vida inteira. Vemos coisas ruins também, mas isso tento deixar pra trás, porque com certeza as coisas boas que acontecem inibem tudo de ruim que acontece. A minha recente trajetória é marcada por momentos felizes, ao lado de minha família, de meus amigos e companheiros musicais. Meu primeiro festival profissional foi a Ronda de São Pedro de São Borja, festival que tenho muito carinho por que me recebeu de portas abertas sempre que pisei naquele palco, é onde a gente nota que as pessoas te admiram pelo teu trabalho. Foi lá que classifiquei a musica Botando o laço em parceria com o poeta santanense Marciano Reis. Meses depois, essa mesma música foi classificada para uma eliminatória da 34ª Califórnia da Canção de Uruguaiana e de lá para cá foi só alegria.

5- As grandes parcerias musicais são fundamentais no nativismo. Como é a tua relação com os outros músicos do meio?

Juliano- A minha relação com outros músicos é a melhor possível, admiro quem faz pelo nativismo, quem merece realmente, quem tem identidade, quem contribui ao cantar o que é nosso; não os que cultivam culturas alienígenas cantando muitas vezes por ajudas de custo. Aos que não são, a meu ver, favoráveis ao meio, respeito porque são mortais iguais a mim e precisam viver. O mercado muitas vezes obriga-os a praticarem este tipo de ato, mas cada um no seu canto e com seu canto. Cito como exemplo de identidade no RS, os mestres Luíz Marenco e Joca Martins, cantores que sempre admirei desde quando nem pensava em cantar. Neles vejo todo o referencial de uma época da música gaúcha, e nessa época foi onde me criei, ouvindo as maravilhas que esses dois já fizeram pela música.

6- "Debaixo da mesma sombra", em parceria com o João Sampaio já está rodando nas rádios e à venda no mercado. Como está a divulgação deste trabalho e como tu percebes a receptividade das pessoas?

Juliano- Bom, em primeiro lugar vejo a receptividade das pessoas muito boa, um trabalho em parceria com o João Sampaio só me enche de alegria e faz com que eu agradeça a Deus todos os dias por ter conhecido este irmão. Quanto a divulgação, ainda não é nada boa, talvez pelo fato de eu estar recém trilhando um caminho na música ou por algum outro motivo que não sei explicar. Não vejo distribuição do CD através da gravadora e tampouco recebo alguma satisfação.




Capa do 1º CD - Aos olhos da pampa


7- Quais são os teus planos para a carreira em um futuro próximo?

Juliano- Meus planos para carreira é a gravação de um terceiro CD com as minhas músicas premiadas em festivais, porque sinto a necessidade do povo que gosta do nativismo conhecer as músicas que realmente mostram o que fazemos pelos palcos dos festivais.

8- Quais são as músicas que te marcam e são referências da tua musicalidade?
Juliano- Como já disse anteriormente, me criei ouvindo o Marenco e o Joca. Então, creio que o trabalho deles tenha influência no meu canto. Nos dias de hoje, o que tem influenciado as minhas músicas é o folclore sul-americano, em seus vários ritmos, como zambas, chacareras, um pouco de tangos, entre outros. O que tenho escutado basicamente é Chango Farias Gomez, Alfredo Zitarrosa, Teresa Parodi e Ramona Galarza, mas aquilo que se destaca atualmente é Jorge Cafrune.




Juliano Moreno ao receber mais um de seus prêmios, durante a 5ª Galponeira

9- Vamos cerrar a armada do laço que a cancha se finda. Fale um pouco do teu amor por Santana do Livramento e deixe um chasque para todos aqueles que te admiram.
Juliano- Bueno, ser filho de Santana, um berço da música nativista no estado, é muito gratificante. Aqui se bebe água pura do cerro do Registro, se come a melhor carne de ovelha do mundo, entre tantas outras coisas maravilhosas. Tiro o chapéu para esta terra que me viu nascer e com certeza vai me ver partir. Agradeço a todos os que gostam do meu humilde trabalho, pois é feito de coração e podem ter a certeza que enquanto tivermos forças, vamos cantar sempre o que é nosso e fazer disso um imenso horizonte para o resto da vida. Muito obrigado e um abraço ao pessoal dos programas De terra, campo e galpão e De campo e alma da Rádio Comunitária FM 105,9 de Santa Cruz do Sul. São atitudes como essa de vocês que aproximam o cantor de quem o escuta porque podemos contar um pouco mais de sua vida e levando seu canto, aos mais longínquos rincões do estado.

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